Uso de IA Generativa Dispara Número de Ações Judiciais por Pessoas em Causa Própria nos EUA, Revelam Dados de 2025
- Rodrigo Morello

- 29 de mai.
- 7 min de leitura

📌 RESUMO DA NOTÍCIA
⚖️ Caso: Aumento de 40% nas ações pro se da ADA Title III em 2025
📅 Data: Outubro de 2025
⚡ Decisão: Cortes federais registram 1.867 ações pro se da ADA nos primeiros nove meses de 2025, contra 1.774 em todo o ano de 2024, impulsionadas por ferramentas de IA como ChatGPT e Copilot.
🏛️ Instância: Tribunais Distritais Federais dos EUA
O uso crescente de inteligência artificial generativa por litigantes que atuam em causa própria (pro se) está transformando o sistema judiciário federal dos Estados Unidos. Dados recentes indicam um aumento de 40% nas ações judiciais pro se sob o Título III da Lei dos Americanos com Deficiências (ADA) em 2025, com ferramentas como ChatGPT e Copilot permitindo que cidadãos comuns preparem petições complexas sem assistência jurídica profissional, gerando um volume sem precedentes de processos.
Principais Pontos
Ações pro se da ADA Title III cresceram 40% em 2025, impulsionadas por IA generativa.
Ferramentas como ChatGPT e Copilot reduzem barreiras de entrada para litigantes sem advogados.
Tribunais enfrentam desafios com petições mal fundamentadas e citações fictícias geradas por IA.
Juízes federais começam a exigir certificação de verificação humana de conteúdo gerado por IA.
"O uso de IA por litigantes pro se apresenta desafios distintos, pois eles não têm acesso a ferramentas de verificação como Westlaw e LexisNexis, aumentando o risco de submissão de informações juridicamente imprecisas."
O Fenômeno do Crescimento das Ações Pro Se
Dados compilados pelo escritório Seyfarth Shaw, baseados em buscas na plataforma LexMachina, revelam um aumento explosivo no número de ações judiciais federais movidas por pessoas em causa própria (pro se) nos Estados Unidos. Especificamente, as ações sob o Título III da Lei dos Americanos com Deficiências (ADA) tiveram um incremento de 40% em 2025, comparando-se a média mensal de 2024 com os primeiros nove meses de 2025.
Em 2024, foram registradas 1.774 ações pro se da ADA Title III em todo o ano. Já nos primeiros nove meses de 2025, este número saltou para 1.867, indicando uma aceleração significativa. Este fenômeno não se limita à ADA; ações relacionadas à Lei de Habitação Justa (FHA) também apresentaram crescimento, sugerindo uma tendência mais ampla impulsionada por fatores tecnológicos.
A principal causa apontada por especialistas é a democratização do acesso a ferramentas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT, Gemini e Copilot. Estas plataformas permitem que indivíduos sem formação jurídica redijam petições, memorandos legais e outros documentos processuais com um nível de sofisticação antes inatingível, reduzindo drasticamente a barreira de entrada para o litígio federal.
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O Papel da Inteligência Artificial Generativa
A inteligência artificial generativa atua como um 'paralegal virtual' para litigantes pro se, auxiliando na pesquisa de jurisprudência, na formatação de documentos e na elaboração de argumentos jurídicos. No entanto, esta facilidade vem acompanhada de riscos significativos. Modelos de linguagem como o GPT-4 podem gerar citações fictícias, conhecidas como 'alucinações', que parecem plausíveis mas não correspondem a casos reais.
Um estudo acadêmico intitulado 'Access to Justice in the Age of AI' analisou documentos judiciais federais e encontrou evidências de que textos gerados por IA estão presentes em uma parcela crescente de petições pro se. A pesquisa sugere que a IA está sendo usada predominantemente em casos simples, onde o custo de produção de documentos é o principal obstáculo, mas também aparece em litígios mais complexos.
O problema das citações falsas geradas por IA já chegou aos tribunais. Em janeiro de 2025, a 7ª Circuito de Apelações dos EUA emitiu uma opinião abordando o uso suspeito de IA por um litigante pro se. O tribunal reconheceu que estes litigantes enfrentam desafios distintos, pois não têm acesso a ferramentas de verificação jurídica profissional, como Westlaw e LexisNexis, para confirmar a precisão das informações fornecidas pela IA.
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"A principal causa apontada por especialistas é a democratização do acesso a ferramentas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT, Gemini e Copilot. Estas plataformas permitem que indivíduos sem formação jurídica redijam petições, memorandos legais e outros documentos processuais com um nível de sofisticação antes inatingível, reduzindo drasticamente a barreira de entrada para o litígio federal."
Desafios para o Sistema Judiciário
O aumento de ações pro se geradas por IA está sobrecarregando os tribunais federais. Juízes e serventuários precisam despender mais tempo revisando petições que, embora bem formatadas, frequentemente contêm erros factuais, citações incorretas ou argumentos juridicamente inválidos. Isto pode atrasar o processamento de casos legítimos e aumentar o congestionamento do sistema.
A proporção de casos pro se apresentados por não-prisioneiros aumentou de 11% de todos os casos civis há cinco anos para 16,8% em 2025, de acordo com dados do New York Times. Este crescimento é atribuído diretamente à disponibilidade de ferramentas de IA, que transformaram o que antes era uma barreira intransponível em um obstáculo gerenciável para muitos cidadãos.
Em resposta, alguns tribunais estão implementando novas regras. O Distrito Leste do Texas, por exemplo, já possui seções em suas regras civis locais dedicadas ao uso de IA por litigantes pro se e advogados. Estas regras destacam os requisitos da Regra Federal de Processo Civil 11 e alertam que as ferramentas de IA podem produzir conteúdo factual ou legalmente impreciso.
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Respostas dos Tribunais e Regulamentação
Juízes federais estão adotando medidas proativas para lidar com a onda de petições geradas por IA. O Juiz Distrital Lee, do Distrito Norte da Califórnia, exige em suas ordens permanentes que qualquer submissão contendo conteúdo gerado por IA inclua uma certificação de que um advogado principal verificou pessoalmente a precisão do conteúdo, sob pena de sanções.
A Conferência Judicial dos EUA emitiu em 2024 uma orientação provisória proibindo juízes federais de usar IA para redigir opiniões, mas o uso por litigantes pro se permanece em uma área cinzenta regulatória. A maioria dos tribunais distritais agora exige que advogados certifiquem se a IA foi usada em qualquer petição, mas esta regra não se aplica a litigantes pro se.
Especialistas jurídicos debatem se a solução ideal é regulamentar o uso de IA por pro se ou investir em programas de assistência jurídica que eduquem estes litigantes sobre os riscos. Enquanto isso, o número de ações continua a crescer, forçando o judiciário a se adaptar rapidamente a esta nova realidade tecnológica.
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Implicações para o Acesso à Justiça
Por um lado, a IA generativa representa uma ferramenta poderosa para democratizar o acesso à justiça. Cidadãos de baixa renda que não podem pagar advogados agora têm a capacidade de preparar petições juridicamente sofisticadas. Isto pode nivelar o campo de jogo em disputas contra grandes corporações ou entidades governamentais.
Por outro lado, a qualidade duvidosa de muitas petições geradas por IA pode prejudicar a credibilidade dos litigantes pro se. Juízes podem se tornar céticos em relação a alegações não verificadas, e casos meritórios podem ser rejeitados devido a erros processuais cometidos por usuários inexperientes de IA. O risco de 'poluição' do sistema judiciário com petições de baixa qualidade é real.
O estudo 'Pro Se Advocacy in the AI Era' da New York State Bar Association destaca que a maioria dos litigantes pro se são autores, representando 28% de todos os casos nos tribunais federais entre 1999 e 2018. Com a IA, este número pode crescer ainda mais, exigindo uma reavaliação fundamental de como o sistema judiciário interage com partes não representadas.
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Casos Notáveis e Jurisprudência Emergente
Um caso emblemático ocorreu na Corte de Apelações de Nova York, onde um homem tentou usar um 'advogado' criado por inteligência artificial para defendê-lo durante uma audiência. O incidente gerou ampla cobertura da mídia e destacou os limites éticos e práticos do uso de IA em representação legal direta.
No âmbito dos direitos autorais, mais de 100 processos foram movidos nos EUA relacionados ao treinamento de IA com obras protegidas. A Suprema Corte dos EUA recusou-se a analisar se obras criadas autonomamente por IA podem ter direitos autorais, deixando a questão em aberto para os tribunais inferiores. Estes casos paralelos mostram como a IA está desafiando múltiplas áreas do direito simultaneamente.
A 7ª Circuito, no caso mencionado, optou por não punir o litigante pro se pelo uso suspeito de IA, mas emitiu um alerta claro sobre as responsabilidades dos usuários. Esta abordagem cautelosa reflete a dificuldade dos tribunais em equilibrar a inovação tecnológica com a integridade do processo judicial, estabelecendo precedentes que moldarão o futuro do litígio assistido por IA.
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Perspectivas Futuras e Recomendações
Especialistas preveem que o uso de IA por litigantes pro se continuará a crescer exponencialmente. As ferramentas estão se tornando mais sofisticadas e acessíveis, e a familiaridade do público com a tecnologia aumenta. Estima-se que, até 2026, mais de 18% de todas as queixas federais apresentadas por partes não representadas podem conter conteúdo gerado por IA.
Para mitigar os riscos, recomenda-se a criação de programas de educação jurídica específicos para usuários de IA, ensinando-os a verificar citações e entender os limites das ferramentas. Além disso, os tribunais podem desenvolver sistemas de triagem automatizados para identificar petições com potenciais problemas de precisão antes que sobrecarreguem os juízes.
A longo prazo, o sistema judiciário pode precisar evoluir para incorporar a IA como uma ferramenta legítima de acesso à justiça, desde que acompanhada de salvaguardas adequadas. A experiência dos EUA servirá como um estudo de caso global para outros países, incluindo o Brasil, que enfrentam desafios semelhantes na interseção entre tecnologia e direito.
Perguntas Frequentes
❓ O que são ações 'pro se' e por que estão aumentando com a IA?
Ações 'pro se' são processos judiciais movidos por pessoas sem representação de advogado. A IA generativa permite que estas pessoas redijam petições complexas, reduzindo a barreira de entrada e causando um aumento de 40% em 2025.
❓ Quais são os principais riscos do uso de IA por litigantes pro se?
Os principais riscos incluem a geração de citações fictícias ('alucinações'), argumentos juridicamente inválidos e a sobrecarga dos tribunais com petições de baixa qualidade que exigem revisão cuidadosa.
❓ Como os tribunais estão respondendo a esta tendência?
Tribunais estão implementando regras que exigem certificação de verificação humana de conteúdo gerado por IA, emitindo orientações sobre os riscos e, em alguns casos, aplicando sanções por submissões imprecisas.
Conclusão
O uso de IA generativa por litigantes pro se está remodelando o sistema judiciário federal dos EUA, com um aumento de 40% nas ações da ADA Title III em 2025. Embora democratize o acesso à justiça, a tendência traz desafios significativos de precisão e integridade processual, exigindo respostas regulatórias e educacionais urgentes.
Advogados e operadores do direito devem se preparar para um cenário onde petições geradas por IA serão a norma, não a exceção.
Fontes Oficiais: Principais Portais de Notícias
Foto: Adam Michael Szuscik via Unsplash






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