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Tribunal Superior Eleitoral valida uso de dark posts em campanha: limites, riscos e o que diz a jurisprudência sobre impulsionamento

há 14 minutos
7 min de leitura
Sede do Ministério Público da União em Brasília
Sede do Ministério Público da União (MPU) em Brasília. Foto: Josue Marinho / Wikimedia Commons


📌 RESUMO DA NOTÍCIA


⚖️ Caso: Impulsionamento de conteúdo em redes sociais (dark posts) na propaganda eleitoral

📅 Data: Jurisprudência consolidada do TSE (Eleições 2022 e temas selecionados)

⚡ Decisão: O TSE admite o impulsionamento apenas para promover ou beneficiar candidato, vedando conteúdo negativo contra adversários

🏛️ Instância: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)




O uso de dark posts em campanhas eleitorais voltou ao centro do debate jurídico após o Tribunal Superior Eleitoral firmar entendimento sobre o impulsionamento de conteúdo na internet. A controvérsia envolve saber quando a publicidade segmentada, exibida apenas para públicos específicos, configura propaganda eleitoral regular ou prática vedada pela legislação. O tema exige análise cuidadosa do art. 57-C da Lei nº 9.504/1997 e da jurisprudência da Corte, que distingue promoção lícita de conteúdo negativo contra adversários.


Principais Pontos

  • O impulsionamento é permitido apenas para promover ou beneficiar candidato ou agremiação, sendo vedado para conteúdo negativo.

  • A vedação está no art. 57-C, § 3º, da Lei nº 9.504/1997, com multa prevista em caso de descumprimento.

  • Dark posts, por serem segmentados e não públicos, ampliam o risco de desvio de finalidade e de fiscalização dificultada.

  • A responsabilidade pode ser solidária entre candidato, coligação e contratante do serviço de impulsionamento.


"O impulsionamento de propaganda eleitoral é admitido apenas quando destinado a promover ou beneficiar candidato ou agremiação, sendo vedada a veiculação de conteúdo negativo, conforme tese firmada pelo Tribunal Superior Eleitoral."


O que são dark posts e por que o tema chegou ao TSE


Dark posts são publicações patrocinadas que não aparecem no feed orgânico do perfil do anunciante, sendo exibidas apenas para o público segmentado escolhido pelo contratante. Na prática, funcionam como anúncios direcionados, com alcance restrito a determinados grupos demográficos, geográficos ou de interesse, sem que a publicação fique visível a todos os seguidores.


No contexto eleitoral, essa característica levanta questões jurídicas relevantes. Como o conteúdo não é exposto publicamente no perfil, a fiscalização por parte de adversários, da Justiça Eleitoral e do Ministério Público torna-se mais difícil, o que pode favorecer práticas irregulares. Por isso, o Tribunal Superior Eleitoral passou a examinar com atenção os limites desse tipo de impulsionamento.


A controvérsia chegou à Corte porque a legislação autoriza o impulsionamento de propaganda eleitoral na internet, mas impõe restrições quanto ao conteúdo. O ponto central é saber se o dark post, por sua natureza segmentada, pode ser utilizado para veicular críticas a adversários ou se essa prática configura propaganda negativa vedada pelo ordenamento jurídico eleitoral.


A discussão ganhou força com o crescimento do uso de plataformas digitais nas campanhas, especialmente após as eleições de 2018 e 2022, quando o impulsionamento se tornou ferramenta central de comunicação política e de mobilização de eleitores.


· · ·


Base legal: o art. 57-C da Lei nº 9.504/1997


A Lei nº 9.504/1997, conhecida como Lei das Eleições, disciplina a propaganda eleitoral na internet em seus arts. 57-A a 57-I. O art. 57-C autoriza expressamente a veiculação de propaganda eleitoral na internet em sítios do candidato, do partido ou de terceiros contratados, desde que respeitados os limites legais.


O § 3º desse artigo estabelece que é vedado impulsionar conteúdo de propaganda eleitoral negativa, ou seja, aquele destinado a criticar adversários. O impulsionamento somente é admitido quando visa promover ou beneficiar candidato, partido ou coligação, o que delimita claramente o objeto lícito da contratação do serviço.


A norma prevê multa para quem descumprir a regra, podendo variar conforme a gravidade da conduta e a reincidência. Além disso, a legislação exige que o impulsionamento seja contratado diretamente com a plataforma ou por meio de empresa intermediária regularmente constituída, com identificação do responsável.


Essa estrutura normativa busca equilibrar a liberdade de expressão e o uso legítimo das redes sociais com a necessidade de coibir abusos, especialmente aqueles que possam comprometer a paridade de armas entre os candidatos e a integridade do processo eleitoral.


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"A discussão ganhou força com o crescimento do uso de plataformas digitais nas campanhas, especialmente após as eleições de 2018 e 2022, quando o impulsionamento se tornou ferramenta central de comunicação política e de mobilização de eleitores."


A jurisprudência do TSE sobre impulsionamento e conteúdo negativo


O Tribunal Superior Eleitoral consolidou entendimento de que o impulsionamento de conteúdo negativo é vedado, ainda que realizado por meio de dark posts. Em julgamentos das Eleições 2022, a Corte reafirmou que a contratação do serviço para tecer críticas a adversários configura infração ao art. 57-C, § 3º, da Lei das Eleições.


Em um dos casos analisados, o candidato veiculou mensagens impulsionadas nas redes sociais Facebook e Instagram com conteúdo característico de propaganda eleitoral negativa. A Corte regional reconheceu o caráter negativo da propaganda, e o TSE manteve a condenação, aplicando multa dentro dos limites legais.


A jurisprudência também firmou que a multa fixada com base nas circunstâncias do caso concreto não pode ser reduzida sob alegação genérica de violação à proporcionalidade. Isso demonstra rigor do Tribunal na repressão ao uso indevido do impulsionamento, especialmente quando há tentativa de ocultar o conteúdo do escrutínio público.


Outro ponto relevante é a responsabilidade solidária. O TSE já decidiu que candidato, coligação e contratante podem responder solidariamente pelo impulsionamento irregular, o que amplia o espectro de responsabilização e desestimula a prática de condutas vedadas por meio de terceiros.


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Dark posts e a dificuldade de fiscalização


A natureza dos dark posts representa um desafio adicional para a fiscalização eleitoral. Como o conteúdo não é exibido publicamente no perfil do anunciante, ele pode passar despercebido por adversários e órgãos de controle, o que dificulta a identificação de irregularidades em tempo hábil durante o período de campanha.


Essa característica levanta questionamentos sobre a compatibilidade dos dark posts com o princípio da transparência, que orienta a propaganda eleitoral. A legislação exige que a propaganda seja identificável e que o eleitor saiba quem a contratou, mas a segmentação fechada pode dificultar o cumprimento pleno dessas exigências.


Por outro lado, o TSE não proibiu de forma absoluta o uso de dark posts. O que a Corte veda é o impulsionamento de conteúdo negativo, independentemente do formato utilizado. Assim, o dark post pode ser lícito desde que promova o candidato e respeite as demais regras legais, como identificação e contratação regular.


A tendência é que a fiscalização se torne mais sofisticada, com uso de ferramentas tecnológicas e cooperação com as plataformas digitais, para garantir que o impulsionamento segmentado não sirva de instrumento para burlar as vedações legais e comprometer a lisura do pleito.


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Consequências jurídicas do uso irregular


O uso irregular de dark posts em campanha eleitoral pode gerar consequências severas. A principal sanção é a multa prevista no art. 57-C, § 3º, da Lei nº 9.504/1997, cujo valor pode ser significativo e é fixado conforme a gravidade da conduta e a capacidade econômica do infrator.


Além da multa, a conduta pode configurar abuso de poder econômico ou uso indevido dos meios de comunicação, dependendo da extensão e do impacto da propaganda irregular. Nesses casos, a sanção pode incluir a cassação do registro ou do mandato, quando comprovada a gravidade das circunstâncias e a potencialidade de afetar o resultado do pleito.


A responsabilidade solidária entre candidato, coligação e contratante amplia o alcance das sanções. Isso significa que todos os envolvidos na contratação e veiculação do impulsionamento irregular podem ser responsabilizados, o que reforça a necessidade de cautela e de conformidade legal na comunicação digital.


A jurisprudência também indica que a Justiça Eleitoral não acolhe alegações genéricas de proporcionalidade para reduzir multas regularmente fixadas. Esse posicionamento sinaliza que a Corte trata com rigor as infrações relacionadas ao impulsionamento, especialmente quando há conteúdo negativo ou tentativa de ocultação.


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Boas práticas para campanhas digitais lícitas


Para evitar irregularidades, as campanhas devem observar rigorosamente os limites do art. 57-C da Lei das Eleições. O impulsionamento deve ser contratado apenas para promover ou beneficiar o candidato, partido ou coligação, jamais para veicular críticas a adversários, ainda que de forma velada ou segmentada.


A identificação clara do responsável pelo impulsionamento é obrigatória. A contratação deve ser feita diretamente com a plataforma ou por meio de empresa regularmente constituída, e o conteúdo deve ser rastreável, permitindo que a Justiça Eleitoral e os órgãos de fiscalização verifiquem sua conformidade legal.


Recomenda-se manter registros detalhados das contratações, dos públicos segmentados e dos conteúdos veiculados. Essa documentação é essencial para demonstrar a licitude da propaganda em caso de questionamento e para afastar a responsabilidade solidária por eventuais irregularidades.


Por fim, as campanhas devem acompanhar a evolução da jurisprudência do TSE, que tem se atualizado constantemente diante das novas tecnologias. A conformidade legal na comunicação digital não é apenas uma exigência jurídica, mas também uma forma de preservar a credibilidade do processo eleitoral e a confiança do eleitor.


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O futuro da regulação dos dark posts no Brasil


O debate sobre dark posts e impulsionamento tende a se intensificar nos próximos pleitos, à medida que as plataformas digitais evoluem e novas formas de segmentação surgem. A Justiça Eleitoral tem buscado adaptar sua jurisprudência e suas resoluções para acompanhar essas transformações tecnológicas.


Uma das discussões em curso é a necessidade de maior transparência nos algoritmos de segmentação e no alcance dos anúncios. A ausência de dados claros sobre quem viu determinado conteúdo dificulta a fiscalização e pode comprometer a efetividade das normas que vedam a propaganda negativa impulsionada.


Outro ponto relevante é a cooperação entre o TSE e as plataformas digitais, que têm sido chamadas a colaborar com a Justiça Eleitoral na identificação de conteúdos irregulares. Essa parceria é fundamental para garantir que as regras sejam cumpridas e que o eleitor tenha acesso a informações verídicas e identificáveis.


A tendência é que o ordenamento jurídico eleitoral se torne cada vez mais específico quanto ao uso de dark posts, estabelecendo requisitos claros de identificação, rastreabilidade e conteúdo lícito. O objetivo é preservar a liberdade de expressão e a inovação na comunicação política, sem abrir espaço para abusos que comprometam a democracia.


Perguntas Frequentes


❓ O que é um dark post na campanha eleitoral?

É uma publicação patrocinada que não aparece no feed orgânico do perfil, sendo exibida apenas para o público segmentado escolhido pelo contratante, o que dificulta a fiscalização pública.



❓ O TSE permite o uso de dark posts em campanhas?

O TSE não proíbe o formato em si, mas veda o impulsionamento de conteúdo negativo. O dark post é lícito apenas quando promove ou beneficia candidato, partido ou coligação.



❓ Qual a sanção para o impulsionamento irregular?

A multa prevista no art. 57-C, § 3º, da Lei nº 9.504/1997, podendo haver responsabilidade solidária e, em casos graves, configuração de abuso de poder econômico.



Conclusão


O Tribunal Superior Eleitoral firmou entendimento de que o impulsionamento de conteúdo na internet, inclusive por meio de dark posts, é admitido apenas para promover ou beneficiar candidato, sendo vedada a veiculação de conteúdo negativo contra adversários. A jurisprudência é rigorosa e prevê multa, responsabilidade solidária e, em casos graves, sanções mais severas.

Acompanhe as atualizações da jurisprudência eleitoral e garanta que sua campanha digital esteja em conformidade com a legislação vigente.


Fontes Oficiais: Tribunais Superiores e Portais Jurídicos


Foto: Josue Marinho via Wikimedia Commons – Licença: CC BY 3.0 [https://creativecommons.org/licenses/by/3.0]

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